O Projeto de Pesquisa “Identificação e Registro do Congo do Espírito Santo como Patrimônio Cultural Imaterial Nacional” (Patrimonialização do Congo do ES) entrou esta semana em sua fase de avaliação, pela equipe do Iphan-ES, do dossiê de pesquisa e do vídeo produzidos pela equipe de pesquisadores.
A pesquisa etnográfica do projeto para produção dossiê de candidatura do congo do Espírito Santo à inscrição como Patrimônio Imaterial Nacional, que é apoiada pelo registro audiovisual das festas e gravação de entrevistas produz grande quantidade de dados que podem ser tabulados, de modo a construir panoramas gerais ou detalhados do congo e das bandas.

Muito se tem falado sobre cartografias. Ao longo do projeto, alimentamos planilhas de acompanhamento da pesquisa de campo, ou de produção audiovisual sobre o congo, ou ainda das bandas que foram às principais festas. E produzimos diversos mapas, tanto em papel quanto digitais, permitindo a visualização geográfica da distribuição das bandas pelo estado. A experimentação com tipos e suportes diferentes de mapas e tabelas contribuiu para um entendimento mais complexo do que os dados de pesquisa poderiam render em termos de conhecimento.

Além de dinamizar a administração da pesquisa, a tabulação permite visualizar padrões de fenômenos, como a concentração de barcos dentre as bandas da Serra, Fundão e Vitória, apesar de já ter tido barco, também na Barra do Jucu, nos anos 1990. Nos exemplos abaixo, computamos o andamento da pesquisa, com relação ao número de bandas entrevistadas.


Outra análise interessante que se pode fazer por meio de mapas e diagramas é a que diz respeito às redes de integração entre as bandas, bem como com relação à mobilidade delas. Os acidentes geográficos, como montanhas e rios, e a malha rodoviária são determinantes nestas redes. Localidades podem parecer próximas quando se apresentam somente como pontos em um mapa “vazio”. Porém, quando são acrescidas informações de terreno e de rodovias, percebe-se que esta proximidade é relativa, dependente dos caminhos que as bandas percorrem em suas festas e visitas a outras bandas.

É o caso de Povoação, na margem norte do Rio Doce, e Regência, na parte sul da foz do rio, ambas no município de Linhares. São bandas que têm grande afinidade, e que se visitam mutuamente, em suas festas. Em outras tempos, eram ligadas pela navegação fluvial. Mas, hoje em dia, o trajeto entre elas é feito por rodovias, desviando-se até a sede do município, e pegando um trecho da BR-101, percorrendo cerca de 85 quilômetros.

Criamos, no Google Maps, um mapa público com as localidades das bandas de congo visitadas pela pesquisa, que ainda está em construção:
Localidades com bandas de congo, no Google Maps
O Projeto de Pesquisa com vistas ao Registro do Congo do Espírito Santo como Patrimônio Cultural Imaterial Nacional (Patrimonialização do Congo do ES) foi criado através de uma parceria, via Termo de Execução Descentralizada, entre o Iphan-ES e a Universidade Federal do Espírito Santo, com o apoio da FUCAM. Além dos professores Elisa Ramalho Ortigão e José Otavio Lobo Name, participam do projeto os bolsistas de pesquisa João Victor dos Santos, Daniel Zürcher, Matheus Giacomin Sian e Felipe Mattar.
Para citar este artigo:
NAME, José Otavio Lobo; ORTIGÃO, Elisa Ramalho. “Cartografias”. In O Congueiro – congo do Espírito Santo. 2020. Acessível em: https://ocongueiro.com/2020/04/17/cartografias/.

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